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ATTÍLIO CORRÊA LIMA

Attílio Corrêa Lima nasceu em Roma, em 8 de Abril de 1901. Em 1919, Attílio inscreve-se como aluno livre na mesma Escola, diplomando-se Engenheiro Arquiteto em 1925. Pela realização de seus projetos na Escola de Belas Artes, conquistou o prêmio de viagem a Europa, indo a Paris em princípios de 1927, onde também fez o curso de Urbanismo no Instituto da Universidade de Paris, concluído em 1930. De volta ao Rio de Janeiro, em 1931, foi então convidado a reger a cadeira de Urbanismo, que acabara de ser criada na Escola Nacional de Belas Artes, na qual permaneceu até 1937, auxiliando a implementar o ensino do Urbanismo no Brasil. Rapidamente se impôs como urbanista, recebendo encargos para importantes trabalhos: o plano de Goiânia, capital de Goiás, o plano de remodelação da cidade do Recife (não executado), o Plano da Vila Operária de Volta Redonda, aqui em questão, dentre outros. (MOREIRA, 2002).

ATTÍLIO CORRÊA LIMA

(Itália, 08.10.1901; Rio de Janeiro 27.08.1943)

Organização da síntese: www.plataformavivavr.ugb.edu.br – IC Alice Goulart de Azevedo
Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1DLkF0Hoj41oAjsSEvsxlqFf9JNl7KEjW/view?usp=drive_link

Arquiteto, urbanista, paisagista e designer. Expoente profissional no período de modernização e industrialização do Brasil, referência para a História do Urbanismo Brasileiro do século XX. Foi aluno da Escola Nacional de Belas Artes (Enba), no Rio de Janeiro, entre 1920 até 1925, recebendo a medalha de ouro e o prêmio de viagem ao exterior no ano de 1926, indo para Paris no início de 1927, ano em que ingressa no Instituto de Urbanismo da Universidade de Paris, formando-se em 1930. De volta ao Rio de Janeiro, em 1931, assume a direção da cadeira de urbanismo, criada na modernização do ensino da Enba, no ano anterior, pelo arquiteto Lucio Costa. Realiza, como Urbanista, o Plano Urbanístico de Goiânia, entre 1933-1935; o Plano Regional de Urbanização do Vale do Paraíba e o Plano da Cidade Operária de Volta Redonda, em 1941, o Plano da Cidade Operária da Fábrica Nacional de Motores, em 1943, inacabado pela morte prematura do arquiteto (aos quase 42 anos).  Além das atividades como urbanista, dedicou-se à arquitetura, ao paisagismo e ao design. Em 1937, Lima vence o concurso nacional para construção da Estação de Passageiros de Hidroaviões do Rio de Janeiro, inaugurado em 1938, com jardins também projetados por ele. O edifício foi tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan), em 1957. Em 1940 é inaugurada a Estação das Barcas, cujo projeto mobiliário é assinado pelo arquiteto. Os dois projetos fazem parte da famosa exposição Brazil Builds, realizada no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), entre 1942 e 19

Ilustração das Principais Obras:

Proposta Preliminar de Desenvolvimento e Expansão da Cidade de Niterói, Brasil – 1930. O projeto-tese Avant Projet d’Aménagement et Extension de la Ville de Niterói au Brésil (não concretizado) de Attílio Corrêa Lima para o Instituto de Urbanismo da Universidade de Paris, feito em 1930, porém publicado pelo instituto em 1932, consiste em um plano para a remodelação de Niterói, baseando-se nos conceitos do urbanismo moderno.

Plano Urbanístico e Arquitetônico para a cidade de Goiânia (1933 – 1935). Em Goiânia, uma capital a ser construída, Attílio aproveitou-se da topografia local para dar à nova cidade monumentalidade. Nos pontos mais altos do terreno, agrupou os locais mais importantes na sua visão, o palácio do governo e os edifícios administrativos. Segundo o arquiteto e urbanista, “guardando as devidas proporções, o efeito monumental procurado é o do princípio clássico adotado em Versailles, Karlsruhe e Washington”

Estação de Passageiros de Hidroaviões do Rio de Janeiro – 1937. Em 1937, após vencer o concurso nacional para construção da Estação de Passageiros de Hidroaviões do Rio de Janeiro, Attílio Corrêa Lima projeta um edifício determinado por um prisma retangular de dois pavimentos e os jardins em seu entorno. O edifício foi tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan), em 1957.

Plano Urbanístico de Attílio Corrêa Lima para Volta Redonda – 1941. Sob o governo de Getúlio Vargas, em 1940, a primeira usina siderúrgica brasileira, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), seria implantada em Volta Redonda, Rio de Janeiro. À vista disso, Attílio Corrêa Lima foi contratado para desenvolver o projeto da Cidade Operária.Seguindo os ideais da cidade industrial do urbanista inglês Tony Garnier (1896-1948), ele desenhou Volta Redonda de forma racional e moderna, determinou zonas de ocupações e propôs uma hierarquia de acomodações baseada na topografia do terreno e na produtividade fabril.

O planejamento urbano, que previa a construção de 4.000 habitações, ocupava, majoritariamente, as áreas planas já existentes, para que assim as montanhas ao sul e as linhas ferroviárias servissem como divisão entre a indústria e a cidade. Para o plano viário foi estabelecido um arruamento econômico que concentrava as atividades urbanas e facilitava a locomoção. Em seus estudos, Corrêa Lima organizou a cidade em grandes centros. À oeste, o Centro Administrativo, que deveria abrigar o prédio da prefeitura, mas, contrariando o projeto, foi construído a diretoria da CSN. Neste mesmo lado, atrás desse prédio, destinado aos operários não especializados, localizava-se o bairro Conforto. Com residências geminadas, continha fácil acesso as áreas comerciais e a própria siderúrgica.

Logo à frente do Centro Administrativo, o Centro Comercial contava com vias paralelas e grandes edificações. Próximo a isso, foi implantado um centro dedicado ao lazer, com cinema, clubes e restaurantes. Ao Sul do Centro Comercial, o arquiteto inclui mais um bairro residencial, agora destinado aos técnicos e operários especializados. A Vila Santa Cecília, como foi intitulada, também abriga escolas, espaços para o lazer infantil e sobrados para operários solteiros. Em um plano mais elevado, longe do ruído e da poluição, Attílio projetou o bairro Laranjal para técnicos qualificados, engenheiros industriais e alguns dirigentes da indústria. Abundantemente arborizado, o bairro também conta com um clube exclusivo para moradores.

Diferente das cidades vizinhas, pode-se dizer que Volta Redonda cresceu de forma equilibrada, nada foi bruscamente implantado graças ao seu planejamento. O feito do arquiteto e urbanista na cidade da curva do Rio foi visto como modelar em nível nacional. Usufruindo do modernismo, que buscava contribuir para a renovação e progresso, Attílio estabeleceu o traçado geral da cidade, classificações e uso dos espaços. Criou algo que “representaria a autonomia e a expansão econômica da nação” (Auad, 2014, p.149).

Referências Bibliográficas:

ACKEL, Luiz Gonzaga Montans. Attílio Corrêa Lima: uma trajetória para a modernidade. 2007. Tese (Doutorado em Projeto de Arquitetura) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007. DOI 10.11606/T.16.2007.tde-17092010-164414. Disponível em: https://doi.org/10.11606/T.16.2007.tde-17092010-164414. Acesso em: 24 abr. 2026.

ATTÍLIO Corrêa Lima. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/18253-attilio-correa-lima. Acesso em: 20 abr. 2026.

DINIZ, Anamaria. Goiânia de Attilio Corrêa Lima (1932-1935): ideal estético e realidade política. 2007. 239 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de Brasília, Brasília, 2007.

LONDON, Marcos Zanetti. A circulação de idéias urbanisticas no meio profissional e acadêmico e sua influência nas obras de Donat Alfred Aagache e Attilio Corrêa Lima. 2002. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2002.

MIGLIANI, Audrey. Clássicos da Arquitetura: Estação de Hidroaviões / Attilio Corrêa Lima. ArchDaily Brasil, 27 ago. 2014. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/626074/classicos-da-arquitetura-estacao-de-hidroavioes-attilio-correa-lima. Acesso em: 28 abr. 2026. ISSN 0719-8906.

MOREIRA, Andréa Auad. MOMOVR: a inscrição do movimento moderno no patrimônio urbanístico e arquitetônico de Volta Redonda. Volta Redonda: FERP/UGB, 2014. Disponível em: https://ugb.edu.br/Arquivossite/Editora/pdfdoc/LIVRO_ARQUITETURA_MOMOVR.pdf. Acesso em: 20 abr. 2026.

PAULA, Juliene de. Nossa História Passa Por Aqui: Memória de Volta Redonda. Cultura Volta Redonda, [s.d.]. Disponível em: https://cultura.voltaredonda.rj.gov.br/nossahistoria/. Acesso em: 20 abr. 2026.

Outras Referências:

Attílio Corrêa Lima – Obras, biografia e vida

https://share.google/BPl06d9up53N3fr16

Clássicos da Arquitetura: Estação de Hidroaviões / Attilio Corrêa Lima | ArchDaily Brasil

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Entrevista com Anamaria Diniz, TBC Memória

Attilio Corrêa Lima é analisado a partir de cartas ao pai – Jornal Opção

https://share.google/BCekJWbELwsybJDax

Instagram anuncia edifício de Attilio Correia Lima no Recife:

https://www.instagram.com/p/DUVmmiYlXab/?img_index=1

Agência Central dos Correios, Attílio Corrêa Lima, 1936-40, Av. Guararapes, 250 – Recife – PE

Attílio Corrêa Lima foi um dos pioneiros do urbanismo moderno no Brasil. Projetou diversos edifícios públicos no estilo Art Déco, sendo eles a Agência Central dos Correios, um dos únicos prédios neste estilo no Recife. O edifício fez parte do planejamento da Avenida Guararapes, sendo construídos no mesmo momento, entre 1936-1940, os Edifício Trianon e do cinema Art Palácio (Rino Levi).  Nascido em Roma, sua atuação na “Veneza brasileira” foi decisiva na década de 1930, com propostas de reforma para o bairro de Santo Antônio que defendiam a abertura de grandes avenidas, a reorganização da circulação e a verticalização como símbolos de modernidade. A Avenida Guararapes foi peça-chave na modernização do centro do Recife no início do século XX. Foram propostos diversos planos de urbanização da região, sendo escolhido o de Nestor de Figueiredo (1932), resultando na abertura da Avenida 10 de Novembro — nome que celebrava o golpe de 1937 — ligando a Praça da Independência à Ponte Duarte Coelho. Executada de forma autoritária e sem consulta à sociedade, a obra representou uma intervenção urbana violenta, responsável pela demolição de dezoito quarteirões e pela destruição de ruas, edificações antigas e importantes monumentos históricos dos séculos XVII e XVIII. A Agência Central dos Correios e a Avenida Guararapes foram cenários do filme ‘’O Agente Secreto’’ (2025), do diretor recifense Kléber Mendonça Filho, que concorre a quatro estatuetas do Oscar no próximo dia 15 de março de 2026.
Fotos: Maria Laura Uchôa Pires Batista (2026)
Referências: ‘’Por que o resgate da Avenida Guararapes importa para o futuro do Recife’’ – Emmanuel Bento. DOCOMOMO PE – Cartilha do Seminário de 2006 Norte/Nordeste; A Significância do Patrimônio Moderno no Bairro de Santo Antônio – Maria Laura Pires (2020)
@editoratelha.

Síntese para publicação na página do Instagram @memorivivavr

Alice Goulart de Azevedo
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